Casal do DF sai de moto para cair no mundo

Oitenta mil quilômetros sobre duas rodas durante um ano. Esse é o plano de um casal brasiliense que resolveu largar tudo para realizar o sonho de rodar o continente americano de moto. Os dois pediram demissão, venderam o carro e os móveis da casa, se desprenderam de tudo, guardaram dinheiro, investiram em um bom veículo usado. No próximo dia 15, partem ao extremo sul, com destino a Ushuaia, na Argentina, e depois seguem para o Alasca. Tudo sem patrocínio, mas com muita vontade de fazer uma imersão cultural.

Cláudio Henrique tem 49 anos, é publicitário e, depois de uma demissão, não quis procurar por trabalho com carteira assinada. Como freelancer, ele garantiu a entrada de dinheiro para o projeto que iniciou há menos de um ano. Cristiane Azevedo tem 45 anos, é administradora e pediu para sair de um emprego fixo em um organismo internacional. Casados, eles juntaram a paixão dele por motos com a dela por conhecer o mundo e vão sem olhar para trás.

A vontade de viajar o mundo sempre existiu, dizem. Há anos falavam sobre o assunto, mas nunca iam adiante. Foi em novembro do ano passado que bateram o martelo. A expedição aconteceria e o planejamento tinha que começar imediatamente. Na casa, um mapa-múndi define o trajeto e listas dos itens necessários para a empreitada enfeitam as paredes.

Rodarão uma média de 500 quilômetros por dia com, pelo menos, 43 paradas. Na bagagem, apenas três malas. “Vamos sem pressa e sem pressão, no nosso ritmo, no nosso tempo, conhecendo as cidades, imergindo nas culturas, conhecendo as comunidades”, esclarece Cláudio.

A expectativa é chegar perto do custo zero em hospedagem. Nas cidades, eles procurarão por camping ou hostel, mas posto de gasolina, quintal de igreja e até casas de pessoas que conhecerão pelo caminho serão opções para passar a noite. Vaidade? Zero. Não cabem produtos de beleza no veículo. O cabelo dela, que era longo, já diminuiu. Talvez fique ainda menor. Cristiane trabalha o desapego.

Para a administradora, essa é a oportunidade de realizar um sonho. “Não tive coragem de fazer isso aos 20 anos. Não quero chegar aos 60 e pensar que tive a oportunidade aos 40 e poucos e não fiz. Temos aprendido muito a viver na simplicidade e na viagem vai ser muito mais simples. Não sou cem por cento desapegada, mas toda a preparação faz parte da expedição. Não tem como voltar com a mesma cabeça”, explica.

Investimento

O casal comprou uma moto seminova para aguentar o trajeto. Na poupança, cerca de R$ 130 mil estão garantidos para a viagem. A vida social foi deixada de lado e, em casa, só entra o essencial. “É abrir mão de algumas coisas para realizar outras. As pessoas acham que essas viagens são para quem tem dinheiro, mas não é assim. Estamos vendendo camisetas, canecas, adesivos. Qualquer real que conseguimos ajuda e vai tudo para a poupança”, conta Cláudio.

A previsão é que usem dez jogos de pneus e façam dez revisões no veículo no caminho. O ideal, dizem, seria que tivessem R$ 170 mil, para garantir que emergências não atrapalhem o cronograma. No planejamento, inclusive, já identificaram os locais mais caros e baratos. Na América do Sul, por exemplo, a média de gastos deverá ser de US$ 50 para os dois, fora gasolina. De lembranças da aventura, só adesivos de onde passarem.

Acompanhe

A expedição tem nome: Claudão e Cris On The Road. Pelo Facebook é possível acompanhar os preparativos para a aventura. Durante o ano do projeto, vídeos, textos e fotos serão publicados. Em breve, o blog da viagem entrará no ar. Com um rastreador via satélite, um mapa será atualizado a cada dez minutos com a localização do casal. Por lá, também é possível adquirir os objetos que estão sendo vendidos para contribuir com o projeto.

Preocupação com surpresas na estrada

Cláudio tem o desafio de carregar os três (ele, a mulher e a moto) com segurança. Com a capacidade máxima do veículo, em torno de 440 quilos, serão necessários atenção, cuidado e saúde. “Tenho que estar 100% para cumprir o cronograma”, acredita. Para Cristiane, o mistério do que terão de enfrentar é a maior preocupação: “Achei que eu era desapegada, mas descobri que não. Será uma viagem de superação em vários aspectos. Enfrentar os contratempos, a falta de conforto, o frio, o calor. Acho que tem muita coisa que nem imagino que teremos pela frente”.

“A gente não está pensando na volta”, revela Cláudio. O DF, porém, está distante de ser destino final. “Queremos ir para o interior de Minas Gerais ou de São Paulo. A gente vai voltar de uma vida minimalista onde Brasília não cabe. No interior vivemos com muito menos”, justifica. Talvez, onde quer que fiquem, abram o próprio negócio, como uma doceria, uma cafeteria ou um bistrô.

Se vão se fixar em algum lugar após a viagem ou seguir como nômades em viagens constantes eles ainda não sabem. “Vamos conversar sobre isso no ano que vem”, brinca Cristiane.

Fonte: Jéssica Antunes
Jornal de Brasilia

 

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